
A extrema desigualdade da distribuição de terras no Brasil é reflexo da covardia dos nossos políticos e da nossa população: nós NUNCA fizemos uma reforma agrária. Todos os países europeus, vários os países da América Latina e até os EUA já fizeram reforma agrária. O Brasil não. A imprensa direitista prefere defender os donos dos infinitos hectares de terras inutilizadas, enquanto chama de marginais aqueles que se apropriaram de algo que é essencial para si e que não está sendo utilizada pelo "dono".
Isso aconteceu em Pinheirinho, na cidade de São José dos Campos, São Paulo. Um brasileiro rico, de nome árabe e proprietário de um monte de terras que ele não as usa para nada. Ele não é fazendeiro, é especulador. Como funciona? Ele compra a terra e fica especulando. Fica esperando a terra ser mais valorizada, o preço sobe e ele vende. Aí compra mais terra e faz a mesma coisa. Compra para vender mais caro. É para isso que as terra de Pinheirinho serve. O nome desse cara é Naji Nahas. Certa vez ele conseguiu, sozinho, quebrar a bolsa de valores do Estado do Rio de Janeiro. Eu disse quebrar a Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, só com especulação de terras. Já foi preso duas vezes por crimes economicos do tipo, está devendo aproximadamente 30 milhões ao Estado brasileiro e respondendo mais um processo criminal. É o dono de Pinheirinho.
É revoltante assistir às reportagens de empresas e profissionais sem compromisso com justiça social. A Rede Globo ignorou o caso até quando pôde, mas a sua afiliada em São José dos Campos, a TV Vanguarda, deu cobertura ao caso e já anunciava a linha de reportagens que a Globo exibiria nos dias seguintes. Assistir à algumas dessas reportagens causa revolta em qualquer pessoa que esteja razoavelmente informada sobre o que está se passando no Pinheirinho e está sendo ignorado por este mesmo veículo de imprensa. Acho que a emissora deu, sim, motivos para que a população se voltasse contra ela.
Na madrugada do dia 21 para o dia 22 de Janeiro a Polícia Militar pegou a população desprevenida, dormindo, e invadiu Pinheirinho. Há denúncias de pelo menos 7 moradores assassinados, além dos feridos, mas a PM está sumindo com os corpos. As vítimas estão sendo registradas como "desaparecidos". Dilma ensaiou fazer barulho, mas logo passou a ignorar o que está se passando no interior de São Paulo. A ação policial se manteve e, em dois dias, todo o bairro foi demolido para evitar que a população queira voltar às terras.
Hoje a população já foi toda removida para acampamentos montados pelo governo estadual. As condições são precárias, os moradores estão revoltados, os assassinatos continuam, a barbárie de Pinheirinho tomou proporções internacionais, a ONU já emitiu nota de repúdio ao massacre que aconteceu nessas terras. Mas a grande imprensa brasileira continua calada, como se nada estivesse acontecendo. Dilma também segue sem se manifestar. E a população brasileira permanece inerte durante mais essa.
"Palavras cruas relatam.
Isso é mais do que o motivo pelo qual os árabes se matam." (Emicida)

Muito louvável essa iniciativa de explicitar e publicitar as arbitrariedades, para não dizer todos os adjetivos que essa ação traz em si, cometidas em Pinheirinho. Aproveito para compartilhar o relatório preliminar “Violação de Direitos Humanos na Ocupação Pinheirinho (São José dos Campos/SP): Ação de Reintegração e Tratamento dos Despejados”, elaborado por: Brigadas Populares, Justiça Global, Rede de Comunidades e Movimentos Contra a Violência, para contribuir com a discussão.
ResponderExcluirxa.yimg.com/kq/groups/18375436/529600387/name/Pinheirinho_relatorio_peliminar_da_violencia_institucional.pdf
Abçs, Tania Macêdo